Amostra "Se eu não tivesse enviado aquele e-mail" de Fernando Henrique

Bom dia Leitores compulsivos!!

Gente hoje recebi a amostra do livro do Fernando Henrique @fhenrique84 e meu Deus do céu!!! Zeus dos raios, Odin pai dos deuses, Atena da sabedoria que livro divertidooooooo!!!! Ri horrores. Cada página que virei foi uma gargalhada (Sim eu estou rindo no meio da rua e as pessoas achando que sou louca, mas quem liga né?!) e resolvi, com a autorização do Joker autor publicar a amostra do livro. Se divirtam como eu me divertir.

Eu já havia me apaixonado por outras garotas antes de conhecer Ane. Algumas delas, talvez uma ou duas, foram as “mulheres da minha vida”. Pelo menos por algumas semanas ou meses.

Mas por que a situação com Ane era diferente?

Eu a conheci no primeiro período da faculdade de Publicidade e Propaganda. Na época eu estava namorando (há bastante tempo) e vivia muito bem, por sinal. Ane era apenas a menina lindinha que sentava na primeira fileira da sala de aula e não me dava bola (como ela, aliás, existiam muitas outras). Mas por que, então, eu me apaixonei por Ane?

Nem eu sei explicar, apenas aconteceu.

Sempre sentei atrás e nunca fui muito estudioso para ser cobiçado na hora da formação dos grupos para os trabalhos acadêmicos. Na verdade, no começo das aulas fui um dos poucos a não ter "amizades" já formadas. Por isso, só observava as pessoas e foi assim que notei Ane. Ela era linda (para mim, pelo menos). Extremamente inteligente e muito meiga. Me conquistou sem precisar fazer nenhum esforço, apenas sendo ela mesma. Tinha apenas dois defeitos:
usava aparelho nos dentes, o que eu sempre achei horrível, e o pior deles, usava uma aliança no dedo. Não, ela não era casada. Apenas noiva.

Ane era intocável. Mas eu não iria desistir dela. Já tinha até escolhido os nomes dos nossos 4 futuros filhos: Rick, Rick Grandão, Rick Pequeno e Ane Miudinha. Lindos!

Após algumas semanas de aula, eu, que no início não conhecia ninguém, agora era o único que tinha amizade com todos, devido ao meu bom humor, e por falar besteira na hora que deveria estar ouvindo o que o professor ensinava. Mesmo com esse “destaque”, Ane ainda não reparava em mim. Eu precisava me aproximar de alguma forma. Será que eu precisava fazer a assinatura da revista Capricho para saber o que interessava a ela?

Após alguns dias eis que surge uma oportunidade fantástica. Certa noite, ouvi as meninas comentando que iriam comprar um bolo para comemorar o aniversário de 19 anos de Ane.

Ideia genial n° 1:

Vou levar a minha câmera digital para faculdade e conquistar seu coração com meus fantásticos 3.2 megapixels. Vou tirar fotos tão extraordinárias que ela vai se apaixonar pelo fotógrafo. Cheguei no dia seguinte à faculdade e as meninas já tinham uma câmera, com pelo menos 12 megapixels. Minha maldita Tekpix! Só fico feliz por não ter comprado meu colete de fotógrafo. Mesmo assim me pediram para tirar algumas fotos. Acho que o flash da câmera estava muito forte, pois ela continuava a não me enxergar.

Eu tinha que usar a minha arma mais poderosa com Ane, já que ela adorava rir (quem não gosta?) então eu fazia questão de contar piadas o tempo todo, na esperança de receber de Ane um olhar simpático e o mais belo dos sorrisos metálicos. Com o passar do tempo, fomos ficando cada vez mais juntos. E eu a cada dia me esforçava mais para chamar a atenção (dela). Só não tentei colocar uma melancia na cabeça. Pois acho que as mulheres não se sentem atraídas por isso. Estou certo? Mesmo assim, eu continuava a sentar atrás com meus amigos Deia, Mila e Rodny, pois eram os únicos que tinham saco de me ouvir a noite toda falando dela.

Um dia Ane chegou à faculdade chorando. Como era prova, foi lá na frente, falou algo para o professor e foi embora. O que poderia ter acontecido?

Eu não conhecia a Ane bem, então imaginei milhares de coisas: a pessoa que ela mais gosta da casa foi eliminada do BBB? Ela entrou no meu Orkut e viu que tenho namorada e ficou desesperada? Não! Ela acabou o noivado. Só pode ser, conheço essas lágrimas.

Na verdade um amigo de infância dela havia falecido, eu soube dias depois. Talvez homens não sejam tão bons em interpretar a linguagem corporal das mulheres. Ou apenas eu que era fraco demais de serviço. Era bom que tivesse esse curso no SENAI. Continuando...

Ideia Genial n° 2:

Depois de um tempo, comecei a fazer e vender aquelas camisas que todo universitário usa. Aquela com o nome do curso gigantesco no peito. Todo mundo quer mostrar que está na faculdade. Grande coisa! Eu vendia basicamente camisas pretas com impressão em prata. Pensei em fazer para Ane uma cor diferente, uma cor especial. Mas como vou conseguir acertar na cor se não sei qual ela mais gosta? Resolvi que o melhor a fazer era fazer uma rosa, uma vermelha, uma amarela, uma azul e uma branca, fora a preta claro. Assim, não teria erro. Puts! Eu iria trocar o guarda roupa dela inteiro. Terminei optando por apenas uma rosa, pois queria ser sutil na minha intenção. Você sabe que homem não dá nada de presente pra mulher sem segundas intenções. Não sabe? Claro que existe algumas exceções, tipo, se são muito amigos mesmo e tal.

Levei a camisa personalizada dela pra faculdade, afinal, ela era a única da turma que teria uma camisa rosa, pois não fiz essa cor para mais ninguém. Quando ela chegou, fui lá na frente e a entreguei. Ela adorou. Foi na hora no banheiro e colocou sua camisa nova. Me deu um “obrigado”. Foi tão bom quanto ter recebido uma maleta com 1 milhão de reais em barras de ouro, que valem mais do que dinheiro. Fiquei lá atrás sentado e olhando a minha Ane, agora em destaque. Não tinha como eu perder ela na sala com aquela camisa rosa. Foi tipo o rastreador mais barato do mundo. Quando precisei ir ao banheiro, passei bem lento perto dela, me abaixei e disse no seu ouvido:

- Você ficou linda!

Após alguns dias, fomos nos aproximando e a história começou a mudar quando numa noite, no intervalo de aula, Mila me falou:

- Tu estás bestinha aí com Ane, não é? Não para de bajular e olhar para ela todo instante.

Caramba! Será que dava para ver a minha baba escorrendo?

Eu não podia negar, era tudo verdade. Por mais que eu não quisesse aceitar.

- Ela também está interessada em você. - Continuou Mila.

Será que é verdade? Fiquei pensando sozinho após o término do intervalo naquela noite. Mila passou a noite tentando me convencer sobre o interesse que Ane tinha em mim e traduzindo cada mexida que ela dava no cabelo, cada sorriso ou encarada. Parecia que ela tinha um dom. Detalhe: Mila nunca falava com Ane, como é que ela sabia disso tudo? Será que estava tudo escrito na testa dela e só eu que não enxergava?

Em resumo: Ane me amava! Estava louca e se segurando para não demonstrar o quanto ela queria arrancar minha camisa e me jogar no chão dizendo “te quero, oh baby, baby!”.

Que inocência!

Naquela noite, já em casa, fiquei pensando em como iria agir. Deveria falar algo? Acabar meu namoro de anos? Não, muito arriscado. Passei a noite inteira pensando em Ane, cheguei a sonhar com ela. O que eu sonhei? Puts! Vamos dizer que no sonho estávamos caminhando de mãos dadas no bosque. Melhor dizer isso, pois não sei a sua idade. No dia seguinte, acordei determinado. Ia fazer algo para mudar aquela situação. Ia mostrar a Ane que eu era um macho alpha e que não estava ali pra ser o amiguinho dela. Fiz o que todo macho alpha tem que fazer. Fui a um site de relacionamentos para ler alguma história parecida. Você deve tá pensando que fui num site de menininhas, pois está enganado. Fui no... sei lá, não lembro o nome, algo do tipo SejaMachoAlfaPraConquistarAne.com.

Lá estava a minha solução. Eu segui as dicas abaixo:

Primeiro: Dê encaradas.
Fácil!

Segundo: Acaricie-a sempre que você puder.
Complicado, mas não impossível!

Terceiro: Cuide de sua aparência. 
Minha mãe me acha um gato!

Quarto e mais importante: Fale para ela o que você está sentindo.
Puts!

O site era bem claro: Se você não falar a verdade a ela, vai acabar entrando num lugar triste e depressivo chamado Zona da Amizade, um lugar que depois que você está dentro não há mais como sair. Lá as mulheres comem seu coração no café da manhã com sucrilhos. Eu não poderia deixar isso acontecer. Hoje Ane iria saber para que eu vim.

Fiz toda uma preparação:

-Tomei banho
-Fiz a barba
-Penteei o cabelo
-Escovei os dentes
-Coloquei o meu perfume novo, que comprei numa revista.
-Cortei as unhas (As do pé também)

Estava pronto!

Cheguei à faculdade naquele dia pronto para dizer a Ane tudo que eu sentia por ela. Até ensaiei. Decidi que iria direto ao ponto:

- E ai Ane, já é ou já era?

Tá, talvez não tão direto assim.

Na sala de aula, tentei me comportar de forma diferente. Não fiz piadas. Ficava encarando o nada. Tipo refletindo sobre a vida. Agora eu era um homem frio e calculista, que não se importava em agradar ninguém. Pelo menos era o que eu pensava. Foi só dar o intervalo e Ane vir me perguntar por que eu estava diferente e dizer que sentiu falta das minhas brincadeiras, que eu só faltei correr para banca de revista mais próxima e comprar aqueles livrinhos de piada. Era uma emergência!

Após o intervalo, voltei à sala de aula com a corda toda. Contei quase 18.495 piadas por minuto. Podem me procurar ai no livro dos recordes. Voltei para casa sem voz e a dois passos da temida Zona da amizade. Era Incrível o domínio que essa garota exercia sobre mim. Será que ela também é leitora do site SejaMachoAlfaPraConquistarAne.com e estava imune a todas as minhas técnicas?

Os dias se passaram e as minhas ideias para conquistar Ane não estavam funcionando.

Ideia genial n° 3: 

No dia seguinte, no trabalho, fui ao e-mail da nossa turma e peguei o endereço eletrônico de Ane. Logo após tive uma ideia estúpida, acho que essa era para compensar a outra:

- Vou mandar um e-mail contando tudo a Ane.

Simples, fácil e barato. Afinal de contas o computador eu já tinha e a internet estava atrasada, mas ainda não tinham cortado. Comecei:

-Oi Ane, tudo bom! 

Tenho que te contar uma coisa. Acho que estou me apaixonando por você. Sei que você tem um noivo, eu também tenho namorada. Mas foi algo que aconteceu. Não estava à procura disso. Não sei se você sente o mesmo, só achei que deveria te contar. 

Beijo! 
Rick 
Enviado às 9h05 da manhã.

Fui direto ao ponto.

Fiquei aguardando a resposta. Esperando ansiosamente recebe-la antes que eu tivesse um enfarte.

Já havia se passado aproximadamente duas horas que eu tinha enviado o e-mail e nada de resposta. Fui conferir a hora no relógio e eram 9h10 Da manhã. Hã? Como assim? Fazem apenas 5 minutos. O dia vai ser longo. Preciso me ocupar. Acho que neste dia eu estava abençoado com tanta burrice. Fui olhar o perfil de Ane no Orkut. Recheado de fotos dela e Nardo. Nardo era o noivo dela. Ele era aquele tipo de cara que não deveria existir. O cara maior que você.

Na minha cabeça ela iria ler o e-mail, sairia de casa na chuva, iríamos nos encontrar na frente da faculdade. Os dois molhados, ela reclamaria da minha demora de tomar a iniciativa. Nos beijaríamos e as pessoas da rua nos aplaudiriam. Estou vendo muito filme de mulherzinha, né?

Após algum tempo esperando a resposta, ela chegou. Respirei fundo e li:

- Rick, 
Eu amo meu Noivo e sei que você ama a sua namorada também. Acho que você apenas confundiu o seu sentimento. Você tem uma namorada linda, esqueça isso! 

Ane 

Isso foi o que ela mandou. E isso foi o que eu li:

- Rick, você se ferrou, pois vou contar a todo mundo que você mandou um e-mail dizendo que estava apaixonado por mim. Você vai ser humilhado, vai ter que mudar de estado. Fazer uma cirurgia plástica. Isso se o meu noivo não te pegar antes. 
Adeus, adeus canalha! 
Ane 

Era claro que eu seria rejeitado. Que mulher iria querer me apresentar aos pais. Vamos ser realistas, na época eu não era o genro que os pais dela pediram a Deus. Tinha lá meus vinte e poucos anos, e a maior conquista que eu tinha na vida era a minha TV de 29 polegadas no quarto, tela plana. Que partidão! Nardo, por outro lado (na minha cabeça), era dono de fazenda e tinha pelo menos umas 30.000 cabeças de gado.

O que eu iria fazer agora?

Ligar pra rodoviária e procurar preço de passagem. Eu não poderia pisar na faculdade de novo. Depois que recebi a resposta, o tempo começou a passar mais rápido, talvez para compensar o tempo que ele ficou parado naquela manhã. E eu tinha que tomar uma decisão. Afinal de contas, sou um homem. Tenho que encarar os problemas de cabeça erguida. Vou à faculdade e digo a Ane que foi tudo uma piada. Uma experiência psicossocial para minha tese de doutorado. Ela vai acreditar. Não Vai?

Chegou a hora!

Fui à faculdade naquele dia sem pressa, com passos vagarosos, quase como se eu estivesse indo para a cadeira elétrica. A cabeça cheia de pensamentos. Nardo teria a senha do e-mail de Ane? Será que ela tinha contado a ele sobre o meu e-mail? E o principal deles: Nardo tinha posse de arma?

Entrei na sala de aula, Ane ainda não tinha chegado. Aparentemente tudo normal. Ninguém me olhou torto. Nenhuma risadinha, nenhum olhar malicioso. A aula começou e nada de Ane. Acho que ela também não queria me encarar esta noite. Fiquei olhando ao redor para ver qual a melhor janela para pular, caso ela aparecesse. Será que eu morro se cair do terceiro andar, ou daria pra Nardo aparecer e terminar o serviço?

No meio da aula a porta se abriu, e Ane entrou.

Gostou?? Eu amei!!

Encontre o Fernando no instagram  @fhenrique84

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