Contos da Panda: Zoé

Aloha Exploradores de Universos!!

Hoje eu trouxe um conto meu e vou logo avisando ele é triste. Tava pensando em continuar a história de Crista e o Viking. O que acham?

Zoé


Ouço o barulho da chuva, nada mais me importa. Tantas as vezes que saí e tomei banho de chuva e sorri, Tantas vezes joguei bola e peguei uma gripe depois, mas isso não importava você sempre estava aqui do meu lado. Era você quem me fazia o chá, era você que colocava um bom filme e me abraçava para esquentar, era você quem tratava minha febre e me dava dengo enquanto fazia bico e bancava a menina mimada e nos divertíamos.


Mas agora deitada apenas o que guardo são lembranças, magoas e dores. A chuva não tem mais o sabor de diversão, a gripe não tem mais sentido de cuidado, o filme já não tem cores de alegria e a cama é apenas um espaço vazio, frio e sem emoção. As músicas não têm mais sons, as mensagens não são mais de amores e as pinturas não tem mais cores. O vazio se instalou tudo é nada
mais que uma penumbra sem fim, um buraco em uma folha, uma caneta sem tinta e um pássaro sem canto.

As lembranças perderam o sabor. As cartas que me mandou? Rasguei. Os CD’s que gravou? Risquei. As mensagens que me mandou? Apaguei. A pelúcia que enfeitou nossa cama? Queimei. Tudo aquilo que me traz você eu dei fim, inclusive em mim. Me apaguei de mim, desisti de sentir, me tornei anestesiada pela dor e pela tristeza. E o que eu mais odeio? É saber que não foi sua culpa, é saber que você não podia ter evitado, é saber que o responsável está por aí andando em paz e vivendo a vida que deveria ser sua, o amor que deveria ser nosso. Me perdoe por tudo que te fiz e espero que um dia você possa me ouvir dizer “Eu te amo” novamente, meu amor!

- Zoe, infelizmente o horário de visitas acabou – falou o médico com pesar na voz.

- Doutor, algum dia ele vai sair do coma?

- Infelizmente é algo que não podemos afirmar, mas temos que manter as esperanças! – Meus olhos se encheram de lagrimas. O homem que atropelou o meu marido continua impune e nas ruas enquanto meu marido, meu amor, meu príncipe, minha vida, meu mundo permanece nessa cama como um morto-vivo com um futuro incerto e fadado a sequelas ou até mesmo a morte e o meu coração permanece apagado até a sua volta.


Saio do quarto do hospital levando toda a minha dor e na esperança que de se algum dia ele acordar não lembre desses desabafos, lembre-se apenas de quantas vezes disse “Eu te amo” e de quantas vezes beijei seu rosto e acariciei suas mãos.

Nenhum comentário

Postar um comentário

Layout por Maryana Sales - Tecnologia Blogger