Contos da Panda: Terror nas Maravilhas

Terror nas maravilhas

Ela está correndo por um lugar escuro dá pra sentir a grama no chão, mas ela é muito macia é grama, mas não parece grama. Luzes estroboscópica azuis começam a girar no entorno. Está tudo azul, está tudo assustador. O espaço começa a se comprimir, ela pode sentir o chão trepidar e as paredes, ora feitas de pedra fria, ora feita de espuma, começam a se aproximar e a textura muda ela parece quente, viscosa e um cheiro característico, ela já sentiu esse cheiro

- Quando? Quando? Eu conheço esse cheiro. Já senti esse cheiro. Parece metal, mas não é! Eu conheço! Esse cheiro, esse cheiro...

É sangue ela percebe se desesperando, a parede é feita de corpos sangrando. Quando se dá conta disso as paredes se iluminam em azul de baixo pra cima e ela pode ver vários corpos nas paredes, Vários soldados vestidos de... Naipe? Sim, naipes de carta. Copas, ouro, paus e espadas.

- Meu Deus! o que, diabos, está acontecendo? - Alice grita sem entender nada

O corredor volta a afunilar - Que nojo! - ela pensa e continua correndo. Seus pés agora estão afundando em lama, mas não é uma lama comum. Ela é vermelha e cheia de vermes e fede como corpo em decomposição. Quando baixa os olhos pra ver o que é, uma coisa familiar quase a faz cair: É uma cartola!

- Não! Não! Nãooooo... - ela grita desesperada, mas não para de correr

Quando as paredes estão prestes à esmagar elas desaparecem e Alice cai em cima de plantas e cogumelos. Eles tem espinhos, não espinhos estão empunhando pequenas facas e a fura de forma dolorida, depressa ela se levanta e saí correndo daquele lugar e segue andando pela trilha, dessa vez de grama de verdade. Ela anda devagar apavorada pensando no chapeleiro e nas cartas... seu estomago revira e ela volta a ser perseguida pela mesma presença gigante e maligna de dentro do corredor onde estava segundos atrás. Ela corre desesperada sem saber onde ir.. ela ouve um gemido e quando olha pra trás vê uma cabeça sem corpo com um sorriso diabólico cantando:

Faz um brilingue e estale os oves E indicaire o bou que lhe dei Ah mu-zi-zin É do borogoves E os momerats cantei¹... - cantarolava esse trecho a medida que se aproximava

Alice gritava ainda mais alto e implorava por socorro a cabeça sumiu, mas ela ainda era perseguida e a melodia cantarolada vinha agora de todas as partes. A floresta se apagou não havia mais nada era apenas um espaço vazio e escuro com uma luz no centro iluminando apenas ela. Alice parou de correr, a melodia se espalhava pelo ambiente, os corpos de seus amigos começaram a aparecer. Os soldados da Rainha Vermelha decepados, desmembrados e esfolados. Depois o chapeleiro com a ponta de um bule saindo pelo olho, de boca escancarada e língua queimada depois essa imagem deu lugar ao coelho apresado se afogando no próprio sangue com as pernas arrancadas... Alice começou a gritar se ajoelhou e cobriu a cabeças com o braços tentando não ver seus amigos mortos. Ela chorava e tremia, mas não era apenas medo, era frustração, pavor, frio tudo ao mesmo tempo.

A música que a presença cantarolava parou abruptamente. Ela enxugou as lagrimas e ergueu a cabeça os corpos, ou as imagens de corpos, sumiram e não havia mais nada.

Algo pingou em sua testa quente e viscoso, mas dessa vez não era sangue, era saliva. Ela olhou pra cima e uma bocarra avançou em sua direção.

Alice acordou gritando e esperneando na cama. A Governanta do orfanato a acudiu e a abraçou na cama. Ela estava molhada de suor. A governanta a abraçou escondeu sua cabeça no colo e a acalmando disse:

- Calma, querida... calma. Foi apenas um pesadelo.
- Canta uma música - pediu Alice de forma infantil e ainda chorosa - me ajuda a acalmar.
- Claro querida - respondeu a governanta e começou a cantar:

"Faz um brilingue e estale os oves E indicaire o bou que lhe dei Ah mu-zi-zin É do borogoves E os momerats cantei..." Abriu a boca mais do que o normal pra um ser humano e mundo de Alice se tornou todo em vermelho.



Baseado na animação Alice no pais das Maravilhas, Clyde Geronimi, 1951

¹ Música que o Mestre Gato (Cheshire) canta quando encontra Alice pela primeira vez em Alice no pais das maravilhas, animação de 1951

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