Entrevista: Li Mendi.

Li Mendi é uma típica e verdadeira "mulher maravilha mil utilidades". Jornalista, publicitária e agora escritora, ela é a rainha dos Chick Lits. Com um tempo super apertado e muito amor por literatura Li Mendi já tem vários livros de sucesso digitais e impressos que a cada dia conquistam o coração de mais um leitor.
Nessa entrevista, nós falamos de seus livros, sonhos e trabalho. A escritora vai publicar seu novo livro, "O Mestre do Amor", seu primeiro hot, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro de 2015.
Confira também a resenha de seu livro
A Verdadeira Bela e leia seus livros digitais gratuitos no Wattpad.

1 - Você começou a escrever online em 2006 e nunca mais parou. Como isso começou? 

Escrevo livros acho que desde os quatorze. Na época, não havia internet, nem blogs. Todas as estórias ficavam registradas em cadernos, que se perderam nas mudanças. Depois, a praticidade do Word me fez esquecer a letra bonita e comecei a imprimir e encadernar os livros. Os amigos curtiam e o ciclo era pequeno de leitores. Mas, felizmente, a internet lá por 2000, me trouxe um mundo de gente pra conhecer meus romances. É assustador ver mais de 10 mil visitas em um livro e mil downloads de outro... O processo solitário agora é dividido com centenas de pessoas.
Até eu terminar a faculdade de jornalismo, havia horas a fio pra gastar teclando. Depois, veio a faculdade de publicidade, a pós-graduação, o trabalho frenético como publicitária e pronto, me peguei com saudade de escrever. Nesse meio tempo, quero dizer, nesse zero tempo, consegui fazer o meu primeiro lançamento impresso: O amor está no quarto ao lado. Em 2012, veio A verdadeira Bela, Coração de Pelúcia e Alma Gêmea por Acaso. Agora, estou escrevendo um hot O Mestre do Amor.
Escrever sempre foi meu prazer, minha paixão, realização, tudo. O fascínio pelo mundo da fantasia se deu já nos primeiros anos de vida. Meus sonos eram embalados pelas incríveis aventuras narradas por meu pai, um excelente contador de fábulas.
Comecei com um pequeno projeto aqui na net, chamado Cada Casa um Caso. Era um hobby produzi-lo. As pessoas gostaram tanto e comentavam mensagens de incentivos que decidi continuar. Hoje, tenho vários livros disponíveis no meu site abertos e os leitores se reúnem em um grupo do Facebook para discuti-los. Os fóruns são acalorados e muito divertidos. Rio demais com as tiradas, fotos e debates.
Na última Bienal do RJ, encontrei muitos fãs que me abraçaram com carinho e contaram sobre a emoção de me ver e pegar o meu autógrafo. Isso é tão gratificante. São eles que me dão força pra continuar todas as madrugadas à dentro.

2 - Você também é jornalista e publicitária. Como é conciliar todas essas profissões? 
Eu trabalho numa empresa o dia inteiro e escrevo bem cedo ou bem tarde da noite. O sucesso vem de suor, dor nas costas, coragem, força e perseverança. Não tem glamour. Tem dor, pulsos no gelo e muita solidão diante do PC. Isso tudo é o preço para que as pessoas se divirtam muito com minhas obras. O criativo sofre de um sofrimento que só ele sabe como a sua maneira o faz feliz...

3 - Pretende um dia parar e se dedicar somente a vida de escritor? 
É o sonho de qualquer autor. Mas, financeiramente ainda não é possível. No entanto, o trabalho de publicitária me mantém sempre criativa, viajando muito, conhecendo pessoas, fazendo trabalhos gráficos... Ou seja, me alimenta também para ser autora. Ficar trancada em casa escrevendo talvez não é a forma que foi escolhida no meu livro da vida...

4- Qual foi o momento em que você parou e disse: vou publicar um livro físico? 
Na verdade, me pediam muito e eu tentava enviar para várias editoras. Daí, eu fui fazer couch de carreira com uma empresa. E lá, conheci minha incrível couch, que ouviu sobre meu hobby e me apresentou a uma amiga editora. Assim tudo começou. De repente, você precisa está conectada às redes certas. Lembra o que falei sobre não ficar trancada em casa aí em cima?

5 - Qual a maior dificuldade que você encontrou? 
Como qualquer outra profissão, para ser autora, você precisa ter uma rotina, entregar um trabalho e agradar pessoas... Mas, qual a parte mais difícil? Vender livro. Escrever é sua paixão, ganhar o carinho do leitor é uma delícia e se você escreve bem e divide um pouco da sua obra, vai receber. Agora, as pessoas querem baixar os livros da internet ou ler seus online, mas, só 20% vai comprar o impresso. Então, vender é difícil pacas. Tem muita coisa online hoje, que não tinha antes da era do PC e Internet. Logo, você compete com o que está free. Logo, vender é o maior desafio. Afinal, você precisa do dinheiro pra custear um momento de coisas, como estar em feira, produzir marcadores, enviar livros pra divulgação. Veja, eu não estou dizendo que é ganhar pra pagar suas contas, é muito antes, é ganhar para sustentar ao menos a divulgação, seu site etc.
Eu não desisti ainda rs, mas, já poderia facilmente ter desistido se fosse outra pessoa.
No espírito de quem inventou a lâmpada e testou mil formas de criá-la, posso dizer que eu não errei nas minhas estratégias. Eu já sei mil formas que não deram certo e devo estar bem perto da que dará. Eu não vejo como erros, mas, como a eliminação de um que já testei.

6 - Há algum personagem seu com o qual você mais se identifique? 
Na verdade todos são criados para serem pessoas quase reais, que não são meus espelhos. Apesar das pessoas querem ver no meu livro catarse, diário ou coisa assim. Talvez, elas achariam mais coerente, porque seria mais real. Tudo parece tão bem transcrito que até duvidam que não seja verdade.  Nenhum é como sou. Mais, acho que a Mell de Alma Gêmea por Acaso tem uma coisa ou outra minha sim.

7 - Escrever um livro e vê-lo publicado é um sonho. Qual deles foi o mais difícil, que você se identifica mais ou que é o seu favorito? 
O mais difícil foi o primeiro por não ter editora. Se identificar é se ver na história e como falei, crio para ser criação. Mas, o que mais gosto é Coração de Pelúcia. Ele é profundo e emocionante. Foi uma grande superação fazê-lo.

8 - Você deseja um dia viver somente da escrita, considero isso um sonho seu. Quais seus sonhos além de ser escritora em tempo integral? 
Como falei, precisarei que financeiramente os livros paguem minhas contas. Não vivo num mundo Barbie rs. Mas, meu sonho seria morar numa casa de campo enorme, com uma cozinha com aquelas panelas penduradas, fazendo bolos para meus netos e filhos. Enquanto posso sentar também numa mesinha de madeira da varanda para escrever. Essa confusão da cidade é algo agressiva.

9 - Na sua opinião, o que falta para a literatura brasileira? 
Pessoas capazes de ler. Hoje, há um número imenso de analfabetismo funcional. Pessoas que compram uma calça cara, lancham fast food, podem sim comprar um livro. Mas, livros não lhes desperta nada. Não falta dinheiro, falta cultura. Na índia, a renda per capita é baixa e eles leem muitos ebooks, por exemplo. Na Argentina, que não é mil maravilhas economicamente, você vê pessoas nos cafés, no metro e em todos os lugares lendo! No Brasil, não é assim.

11- E quais escritores te inspiram? 
Adoro Romance, principalmente quando tem humor. Eu gosto muito da complexidade de criação dos personagens de Machado de Assis, que cria personas problemáticas e maravilhosas. Aquilo é genial. O jeito de escrever da Sophia Kinsella com uma pegada de humor me influenciou demais e acredito que assistir muitos seriados americanos também me inspiram. A profundidade da redação da Clarice Lispector, Fernando Pessoa e outros grandes escritores também mexem comigo, quando preciso me inspirar.


12 - Que dica você dá a quem deseja seguir o caminho da escrita? 
Primeiro se divirta, escreva com o coração e leia de tudo sobre tudo. Em segundo lugar, não espere o lucro rápido pra largar seu emprego. Viva uma vida paralela até que possa viver como autor. Depois, me escreva pra me contar. Brincadeirinha. Olha, comecei uma coluna no Widibook, rede social de livros, onde dou dicas a jovens autores. Como curadora na rede, divido minha experiência, vale acompanhar o blog do Widbook!
blog.widbook.com/column/vida-de-escritor/

13 - Para você, o que é ser escritor? 
É criar a vida que não é sua e que talvez nunca queria viver, mas, precisa criar para que uma história aconteça na imaginação de outra pessoa e a faça pensar, reviver e ser feliz. É você mexer com corações que nunca conhecerá. E todos os dias acordar e se sentir culpada por não ter escrito mais do que pode, como uma necessidade de existir. É difícil explicar exatamente.

14 - Nesse espaço, Li, você pode divulgar suas redes e suas obras. Um recado para nossos leitores? 
Eu quero te convidar para conhecer meus livros grátis. Leia, se divirta e sinta a felicidade e emoção. Depois desta experiência, me conceda a chance de chegar as suas mãos com meus livros inéditos. Eu te garanto que não conseguirá parar de ler, nem largar as páginas. É uma promessa. Encontre tudo em limendi.com.br/limendi
Obrigada!!!

Gostou da entrevista, quer mais?
Vem acompanhar mais um pouquinho do mundo literário e das obras incríveis da Li!

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