Resenha - Memória de Minhas Putas Tristes

Título: Memórias de minhas putas tristes
Editora: Record
Número de páginas: 190
Autora: Gabriel García Márquez




O livro que trago hoje é Memórias de Minhas Putas Tristes, do supracitado autor. Confesso que faz um bom tempo que o li, mas isso não suavizou a marca que o livro me deixou.

Esse pequeno livro (apenas 109 páginas, tá vendo como sou legal?) é narrado em primeira pessoa e nos apresenta um jornalista culto, que gosta de artes, música e das demais coisas belas da vida. Frequentador de bordel, quase completando 90 anos, decide celebrar essas nove décadas de uma forma diferente: uma noite de sexo com uma virgem.

Para tanto, recorre a Rosa Cabarcas, dona de um puteiro e de uma língua rápida e inteligente, a fim de saciar seu desejo danadinho. Acontece que na hora do vâmo vê, nosso ilustríssimo quase idoso Senhor se apaixona perdidamente pela jovem que dorme a sua espera. E é basicamente isso o livro. Dai você me pergunta: e pra que eu vou ler?

Ok, vamos responder isso.

García Márques traz à luz diversos assuntos interessantes e sólidos, de uma maneira leve e em um contexto, no meu ponto de vista, diferente. Ele fala sobre o envelhecimento (não que eu saiba algo sobre isso), solidão e, claro, o amor (ah, o amor..). Além disso, ele insere na história todos os bons componentes existentes em uma boa leitura, tais quais personagens bem construídos, diálogos bem desenvolvidos e, obviamente, um texto rico, a altura de seu Nobel de Literatura (rimou).

Algo que me chamou muita atenção no texto foi a forma como ele descreve cenas, personagens e cenários. Ele faz um tipo de descrição muito arriscada, mas que, quando dá certo, como no caso da obra em análise, dá MUITO certo. Ele pormenoriza e quase que forçadamente cria a imagem que deseja na sua mente. Fica fácil de imaginar as coisas nessa viagem.

São pouco mais de 100 páginas muito bem escritas. Traz um personagem triste, vivendo um amor platônico, idealizando sua musa quase que como uma condição para permanecer vivo e sóbrio. É algo mais complexo do que consegui entender, disso eu tenho certeza.

Havia achado, sempre, que morrer de amor não era outra coisa além de uma licença poética. Naquela tarde, de regresso para casa outra vez, sem o gato e sem ela, comprovei que não apenas era possível, mas que eu mesmo, velho e sem ninguém, estava morrendo de amor. E também percebi que era válida a verdade contrária: não trocaria por nada neste mundo as delícias do meu desassossego. Havia perdido mais de quinze anos tratando de traduzir os cantos de Leopardi, e só naquela tarde os sentia fundo: Ai de mim se for amor, como atormenta.

Como dá pra perceber no transcrito acima, o autor (ainda bem) não tenta vender uma fórmula barata de amor. Acho que até pelo contrário, o que ele traz é a alegria e o prazer de descobrir uma paixão e redescobrir outras tantas. Pra mim, o que mais é retratado no livro é o quão bonito é o amor próprio e a coragem (não que se destaque isso, ela parece inerente do personagem) para encarar esse momento como uma nova oportunidade, como mais uma boa aventura.

É uma leitura rápida e prazerosa, sem a menor dúvida. Arrisque.

Um comentário

  1. O Gabo é maravilhoso <3, tô querendo ler o máximo de livros em espanhol dele esse ano.Espero conseguir!!!

    Poesia em Transe

    ResponderExcluir

Layout por Maryana Sales - Tecnologia Blogger